05 – Tarifação, o grande desafio

Um dos pontos que causa constante análise, principalmente na fase em que está sendo especificando uma solução de Tramway, é referente à estratégia de tarifação aos usuários. Como trata-se de um veículo sem cobradores, ou confia-se nos usuários que validarão expontaneamente seu ticket em máquinas de cobrança internas no trem ou tem-se que construir uma estrutura física que garanta o pagamento da passagem antes do usuário entrar no trem.

Típica Estação de VLT (Aberta)

A primeira opção é habitualmente encontrada nos paises da Europa, onde as plataformas são simples como pontos de ônibus que conhecemos em nossas cidades. A empresa de transporte confia que o usuário, ao adentrar no veículo, irá validar seu bilhete nas maquinas coletoras automáticas existentes próximo de todas as portas da composição. Essa solução é creditada por considerar-se a cultura européia conta com nível de cidadania adequado para não usar os serviços sem o devido pagamento. Pude comprovar pessoalmente que as pessoas, lá no primeiro munto, também não são tão assíduas como fazemos idéia.

Campanha para Validação do Bilhete em Madrid - Contribuição de Felipe Balestri

Fiscais, com leitores manuais, aparecem eventualmente no interior da composição e checam o status dos bilhetes de usuários selecionados com o intúito de inibir um pouco os não pagadores. As multas geradas para os não pagadores são bastante significativas, reduzindo um pouco a ação dos estrategistas.

O que será dessa solução aqui no Brasil ainda é uma incógnita. Uma grande campanha de concientização deverá ser realizada além de contar com um significativo contingente de agentesfiscalizadores. Temos uma vantagem (que gostaríamos de não ter) com relação aos países europeus, visto nossa política de salários baixos no país, que é viabilizar um número significativo de fiscais, porém surge aí uma nova categoria de profissionais e todos os encargos correspondentes.

Plataforma em Curitiba

Plataforma de Ônibus em Curitiba

A segunda opção é a de transformar os pontos de parada do VLT em mini-estações fechadas, tal como os modernos pontos de ônibus na região de Curitiba. Neste caso, para a acesso às plataformas os usuários teriam que passar por catrácas na entrada e portas de vidro, que se abrem com a chegada do veículo, seriam utilizadas para o acesso dos usuários ao interior do veículo nas plataformas (Chamadas de PSD – Platform Screen Doors). Apesar de ser uma opção eficiente descaracteriza bastante a funcionalidade do VLT, limita a mobilidade e há um encarecimento significativo na sua implantação em função dos rigores tecnológicos e da frequênte manutenção para ajustes.

Futura Estação do VLT de Santos

A vantagem é que as máquinas de coleta colocadas nas estações (bloqueios) não tem sindicato.  Como o objetivo de uma solução VLT é ser barata e de fácil acesso, esta solução deve ser analisada com muito cuidado quando se especifica um VLT para sua cidade.

Análises, ainda futuristas, estão sendo cogitadas baseadas em conceitos de utilização de bilhetes do tipo “Sem Parar” já disponíveis nos pedágios de autos… mas ainda não temos soluções viáveis. No momento que tivermos um chip instalado em nosso pescoço, alinhado com uma conta bancária, o problema estará resolvido… mas não podemos ficar esperando por esse momento.

Com as parcerias privadas que governos estão adotando para suas cidades, (Também conhecidas como PPP), esse problema de tarifação passa a ser das concessionárias que tem que garantir a sobrevivência de seu negócio através da tarifação, sem deixar de fornecer serviços adequados aos usuários e sem penalizar o contribuinte.

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