07 – O Incômodo Rival

Não cabe, neste artigo, fazer grandes comparações entre o VLT e o ônibus, muito pelo contrário, apenas mostrar que existem oportunidades de convivência que, quando bem equacionadas, geram benefícios significativos à cidade e ao usuário dos meios de transporte público.

O que destaco a seguir são as barreiras criadas pelas companhias de ônibus em dividir um mercado que, até os dias de hoje, tinham e tem absoluta autonomia do transporte público. Devido à grande força das empresas de ônibus junto às entidades públicas, oriunda de décadas de supremacia no mercado de transportes, soluções alternativas são repudiadas com uma grande força política e barreiras são criadas nos diversos níveis estatais para que a implementação da solução de VLT seja inviabilizada ou postergada para um futuro incerto, garantindo seu espaço sem interferências.

Mais uma vez vale a força da natureza que afirma que toda ação gera uma reação contrária, por mais bem intencionada que esta seja. Algo como “no meu terreno ninguém meche”… e quem sai perdendo com tudo isso, como sempre nos meios políticos, é o povo, que continua utilizando precários meios de transporte ou entope as grandes cidades com automóveis, por não ter alternativas que permitam um deslocamento, no mínimo, aceitável.

A solução VLT criou novas forças com os eventos de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, no objetivo de oferecer soluções mais adequadas aos turistas que irão invadir as grandes cidades de nosso País. Pode-se observar uma grande contrapartida do setor de coletivos em criar alternativas de corredores de ônibus, alegando menores investimentos em curto prazo. O que irá prevalecer: o bom senso ou a força política?

Bom, como defensor da solução VLT, apresento abaixo alguns dados colhidos do site de uma empresa ligada ao transporte público:

Comparativo VLT x Automóveis x Ônibus:

  • 1 VLT típico carrega o mesmo número de passageiros que 50 carros ou 3 ônibus.

  • 1 VLT comporta 200 passageiros, considerando 4 pessoas/m2 comparado a 4 passageiros por carro ou 66 por ônibus com conforto.

  • No aspecto de consumo/passageiro, o VLT é 4 vezes mais econômico que um ônibus e 10 vezes mais econômico que um carro.

  • O VLT oferece facilidades de acessibilidade (para pessoas com limitações de mobilidade): piso baixo, comunicação visual e audível, menor ação de frenagens,…

  • De operação silenciosa, o VLT gera 4 vezes menos ruído que o tráfego automobilístico.

  • Energia limpa é uma característica importante do VLT que se utiliza de energia elétrica renovável, muito menos agressiva ao ambiente.

Essa rivalidade unilateral somente poderá ser contestada no momento em que o Brasil tiver implementado solução de VLT/Tramway em uma de suas cidades e mostrar que veio para somar e não para substituir. Há espaço para todos, independente dos interesses comerciais.

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