04 – Convivendo com o Trânsito

A chave do sucesso do Tramway (VLT) é, em grande parte, proporcionada pela convivência amigável e eficiente com o trânsito local de automóveis, com quem compartilha, principalmente em grandes avenidas e notadamente nos cruzamentos de vias.

É comum que o VLT tenha seu curso em paralelo às principais vias automotivas, normalmente locomovendo-se no canteiro central, não incomodando o fluxo dessas vias ou dos grandes corredores viários. A questão reside nos cruzamentos, já que esses corredores, obrigatoriamente, convivem com um número significativo de travessias. Lembramos que o VLT procura não dividir a cidade, como é mais notado no caso de ferrovias ou subúrbios, desta forma, ele tem que promover o mínimo de interferências no ambiente urbano.

O VLT típico é concebido com um sistema automático de controle semafórico, que dá prioridade à sua passagem nos cruzamentos de via. Isto é possível através do relacionamento entre um sistema de localização da composição e o sistema controle semafórico (ou sinaleiros) dos cruzamentos, normalmente administrados pela companhia de tráfego viário local.

Mesmo com prioridade, não significa que o VLT nunca irá parar nas regiões de cruzamento pois existe sim, um algoritmo ou uma série de condições, que irão ser processadas para definir a prioridade momentânea da passagem pelo local. Esse relacionamento é amplamente discutido na fase de desenvolvimento do projeto com as autoridades locais para que se adéqüe às características de prioridade de tráfego.

Não pense que o condutor do VLT vai fechar os olhos e acelerar a composição indiscriminadamente porque ele se julga o dono do caminho nos cruzamentos. É comum vermos composições paradas à espera de sua vez nos cruzamentos, sempre que as condições locais assim forem estabelecidas.

É de se considerar que tempos mínimos de prioridade de cruzamento para os automóveis devem ser respeitados e uma seqüência de VLTs não podem deixar os sinais de trânsito sem tempo para um cruzamento seguro dos veículos automotores. Como a movimentação do VLT é “marcha à vista”, logo cabem ao condutor os cuidados visuais para realização da travessia dos cruzamentos, normalmente em velocidade reduzida, e que permitam ações seguras em caso de invasões de sua área por veículos ou na travessia de pedestres.

De qualquer forma, a lógica de prioridade no cruzamento torna o VLT um meio de transporte de grande desempenho e seu breve tempo de travessia dos cruzamentos não proporciona degradação na movimentação viária da região.

Vamos entender um pouquinho dos princípios que regem o automatismo da sinalização dos cruzamentos viários:

  • A passagem de um VLT em uma região de cruzamento é controlada por 3 sensores localizados na via, sendo 2 sensores posicionados “antes” do cruzamento (sensores de aproximação) e 1 sensor posicionado logo “após” o cruzamento (sensor de conclusão).
  • Normalmente esses sensores nada mais são que bobinas receptoras, instaladas entre os dormentes da via, que identificam sinais enviados por antena instalada na parte inferior das composições do VLT (nas cabeceiras frontal e traseira do veículo) quanto este passa sobre as bobinas.
  • A primeira das duas bobinas encontrada pelo VLT antes do cruzamento é chamada de sensor “distante” que, como o próprio nome já diz, ao detectar a presença da composição, irá garantir um distanciamento adequado para o início da seqüência que irá proporcionar sinal “verde” para a passagem do trem.
  • A segunda bobina é chamada de sensor “próximo” e é localizada a apenas alguns metros antes do cruzamento. Ela é utilizada em duas condições: em caso de degradação (quando o sensor “distante” falhar) e para confirmação da chegada do trem.
  • Enquanto a composição se aproxima do cruzamento, o aspecto do sinal entra em procedimento de alteração, por exemplo, 6 segundos antes da chegada no cruzamento, uma indicação piscante notifica o condutor do VLT que o sinal está mudando para “verde”. Quando a composição está a 3 segundos antes do cruzamento, o sinal do VLT muda para a condição “verde”. Caso a indicação piscante não se faça presente, o condutor já prepara sua parada em um possível sinal “vermelho”.
  • Quando a composição ultrapassa por completo o cruzamento, ela passa sobre a terceira e última bobina, que identifica a conclusão da passagem e avisa ao sistema controlador de travessia da liberação do cruzamento. Nesse momento, o sinal de tráfego irá apresentar aspecto “vermelho” para a via do VLT, liberando o cruzamento para os veículos automotores.

Nota: na realidade, as indicações “verde” e “vermelho” para o VLT, são representadas por símbolos compostos por barras vertical e horizontal, na cor âmbar, em sinaleiros específicos para o VLT enquanto que para os veículos automotores são utilizados os padrões normais de cores conforme normalmente utilizado no controle de veículos automotores.

Seguem, em anexo, dois descritivos técnicos (em Inglês) da empresa Capsys, especialista no fornecimento de soluções para travessia de cruzamentos voltada ao tráfego sobre trilhos.

3 in 1 CapSystem Presentation SLT UK 15.09.10

IV64024A-Tram Grenoble UK

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